🪙 EUA liberaram o DeFi
Safe harbor de 5 anos da SEC, WLFI implode com Justin Sun e Hyperliquid fatura US$ 900M com 11 pessoas
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💡 DYOR: um app falso do Ledger Live passou pela revisão da Apple, ficou na Mac App Store por uma semana e roubou US$ 9,5 milhões de mais de 50 pessoas. A maior vítima perdeu US$ 3,2 milhões num único dia. Os fundos passaram por um mixer chamado AudiA6 e caíram em mais de 150 endereços de depósito.
Na GM de hoje, em 10 min:
WLFI: o projeto cripto dos Trump está implodindo — Justin Sun detonou, comunidade criou Wen Lambo Financial pra tirar sarro
Interface ≠ Intermediário: SEC dá safe harbor de 5 anos pro DeFi. No Brasil, a 521 do BC foi pro lado oposto.
Trending: o perfil de Jeff Yan, fundador da Hyperliquid — recusou US$ 100M, corta o próprio cabelo, fez 188x mais lucro por funcionário que o Goldman
Off-Chain: Bitcoin como hedge de guerra, Deutsche Börse entra na Kraken, Legal & General tokeniza £50 bi
DYOR: US$ 9,5 milhões roubados num app falso do Ledger que passou pela Apple Store
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🔥 O PROJETO CRIPTO DOS TRUMP ESTÁ DERRETENDO POR DENTRO
Justin Sun investiu US$ 75 milhões. Agora chama de “armadilha disfarçada de porta.”
A World Liberty Financial é um empreendimento DeFi cofundado pela família do presidente Trump — ele próprio, Don Jr., Eric e os Witkoff (Steven, o enviado ao Oriente Médio, e os filhos Zach e Alex). Tem 600 mil carteiras, um token (WLFI), uma stablecoin (USD1) e uma lista de problemas que cresce mais rápido que qualquer um dos dois.
Na quarta (9), a CoinDesk revelou a operação:
→ A WLFI depositou 5 bilhões de tokens WLFI como colateral na Dolomite
→ Tomou emprestado ~US$ 75 milhões em stablecoins (USD1 e USDC) contra eles
→ Detalhe: o cofundador da Dolomite, Corey Caplan, é assessor da WLFI
→ O empréstimo esgotou o pool de USD1 da Dolomite. Utilização: ~100%
→ Mais de US$ 40 milhões do empréstimo foram transferidos pra Coinbase Prime
→ Quem tinha USD1 depositado esperando ganhar juros ficou preso. Sem sacar.
O colateral é o próprio token de governança do projeto. WLFI negocia com liquidez rasa. Se o preço cair o bastante pra acionar a liquidação, a venda forçada derruba o preço antes do colateral ser desfeito — e o protocolo fica com dívida incobrável.
É como dar um cheque de uma conta que só tem saldo enquanto ninguém tentar descontar.
A WLFI disse que não há “risco de liquidação” e que “simplesmente forneceria mais colateral.” Quem viveu 2022 reconhece a frase — Do Kwon disse algo parecido sobre a Luna. Custou US$ 50 bilhões ao mercado.
A contabilidade não bate. Na sexta, a WLFI anunciou que já havia “pagado” parte da dívida — US$ 15M no dia 9 e US$ 10M no dia 11. Só que, na mesma janela de 5 dias, a empresa mintou US$ 38,5 milhões em novos USD1 (US$ 12,5M em 8/abr, US$ 8M em 10/abr, US$ 18M em 12/abr) e queimou US$ 3M — saldo líquido positivo de US$ 22 milhões em novas stablecoins emitidas exatamente nos dias em que alegava estar quitando dívida. A CoinDesk chamou de “tempo de emissão que trackeia perfeitamente com o cronograma de pagamento.”
Aí o Justin Sun explodiu.
O fundador da Tron — que investiu US$ 75 milhões no projeto — publicou um texto longo no X chamando a WLFI de “armadilha disfarçada de porta.”
As acusações dele:
→ O smart contract do WLFI tem uma função de blacklist oculta que permite congelar tokens
→ A empresa pode congelar qualquer investidor — sem aviso, sem motivo, sem recurso → Em setembro de 2025, a WLFI congelou 595 milhões de tokens da carteira dele — US$ 107 milhões na época
→ A WLFI alegou que ele estava usando os tokens travados dos usuários de retail como liquidez pra sacar antes na exchange dele mesmo (a HTX). Sun nega.
→ As votações de governança foram farsa — “resultados pré-determinados”
A WLFI respondeu ameaçando processo contra Sun. Publicou no X: “See you in court.” Disse ter “as provas e a verdade.”
O token WLFI tá em US$ 0,08 — queda de 82% desde o pico de US$ 0,46 em setembro de 2025. Só num dia, US$ 427 milhões de market cap evaporaram.
O que o Gold Paper não diz na capa: 75 centavos de cada dólar que entra na WLFI vai pra DT Marks DEFI LLC — entidade da família. Zero capital contribuído. Zero responsabilidade assumida. Tá na página 14.
E esse não é o primeiro escândalo envolvendo a família Trump no mundo cripto. É só o capítulo mais recente de uma linha do tempo que já virou enredo — com cobertura de Bloomberg, CoinDesk, Washington Post, CNN e CNBC:
🌍 OFF-CHAIN
BITCOIN: BTC +13% desde 28/fev, quando o conflito EUA-Irã começou. S&P e Nikkei: +1%. Ouro: -9%. No fim de semana, com bolsas fechadas, cripto foi um dos poucos mercados líquidos. A Hyperliquid processou US$ 1,53 bilhão em volume de petróleo num único sábado. ETFs de Bitcoin tiveram US$ 786 milhões de inflow na semana.
PBW: Keynote da ministra francesa de IA. Painéis com BlackRock, JP Morgan, Fidelity, Amundi, Binance, OKX, Ripple, Cardano. Silvio Micali (Turing Award). Se você está em Paris: Carrousel du Louvre, 8h50.
KRAKEN: A bolsa de Frankfurt pagou US$ 200 milhões por uma fatia da Payward (controladora da Kraken). Avaliação: US$ 13,3 bilhões — abaixo dos US$ 20 bi de novembro. A Kraken planeja IPO em 2026 e em março virou a primeira exchange cripto a acessar o sistema de pagamentos do Fed. Na mesma semana, a NYSE investiu ~US$ 200M na OKX. Duas das maiores operadoras de bolsa do mundo comprando exchanges cripto no mesmo trimestre. Não é parceria. É aquisição.
🔥🔥 INTERFACE NÃO É INTERMEDIÁRIO
A SEC publicou ontem um safe harbor de 5 anos pro DeFi. O Brasil, há 2 meses, foi pelo caminho oposto. Agora tem um benchmark pra corrigir a rota.
Na segunda (13), a Division of Trading and Markets da SEC publicou o staff statement File Number 4-894. A decisão cria uma categoria jurídica nova — “Covered User Interface Provider” — e concede um safe harbor de 5 anos para frontends DeFi e carteiras self-custodial nos EUA.
A lógica americana, em uma frase:
Se você não toca nos fundos do usuário e cumpre 12 condições objetivas de neutralidade e transparência, você não precisa de registro como broker-dealer.
As 12 condições, em essência:
→ A interface deve ser passiva — não pode iniciar transação, recomendar ou aconselhar
→ Não pode ter custódia dos ativos (non-custodial obrigatório)
→ Deve facilitar acesso a wallets de self-custody
→ Não pode negociar termos, arranjar financiamento, ou executar ordens
→ Não pode dizer “melhor preço” ou “execução mais confiável” — isso é recomendação
→ Deve divulgar política sobre reordenamento de transações (front-running por validadores)
Vale inclusive pra ações tokenizadas e títulos. Um mesmo ativo pode negociar em bolsa regulada ou num AMM permissionless. Mercado de dois andares.
O que os EUA acabaram de reconhecer
A narrativa de que “DeFi é terra sem lei” acabou. O que entra no lugar é o reconhecimento institucional de que Interface ≠ Intermediário.
Por uma década, o regulador americano tratou frontend DeFi e wallet como se fosse corretora — a premissa era que mostrar a tela te fazia responsável pelo que vem depois. Destravou.
O contraponto. Commissioner Hester Peirce publicou seu próprio statement no mesmo dia: “Interfacing with our Inner Demons.” A leitura dela: a lei já era clara, isso deveria virar rule permanente via rulemaking — não staff statement, que explicitamente não tem “força legal ou efeito.” A SIFMA (lobby dos bancos) reclamou: dois regimes pro mesmo ativo.
Brasil na dianteira
Aqui, o roteiro foi outro. Em 10 de novembro de 2025, o Banco Central publicou as Resoluções BCB 519, 520 e 521 — o marco regulatório dos ativos virtuais, que entrou em vigor em 2 de fevereiro de 2026. Quase três anos depois da Lei 14.478/2022.
A 521 é a que importa pra essa conversa. Ela não proíbe transferências pra carteira self-custody — a consulta pública original previa essa proibição, que caiu. Mas o texto final impõe obrigações que, na prática, jogam o peso de uma exchange nos ombros de qualquer frontend não-custodial:
→ A PSAV precisa identificar o dono de toda carteira self-custody com que interage
→ Precisa documentar origem e destino dos ativos em operações de câmbio
→ A partir de 4 de maio, reporte mensal obrigatório ao BC sobre cada operação
→ Capital social mínimo: de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, conforme o escopo → Stablecoins lastreadas só em algoritmo estão proibidas (ok — essa a gente concorda)
O problema conceitual: a 521 trata carteira autocustodial como se fosse contraparte identificável — mas por definição não é. Já há teses declarando que o Anexo II-A da 521 é inconstitucional, configurando “devassa patrimonial por via indireta.”
A questão mais estrutural que ninguém respondeu ainda: como reportar uma operação executada num protocolo DeFi autônomo, sem contraparte jurídica do outro lado?
Isabela Kasper Kopittke, legal counsel da Picnic — carteira brasileira 100% não-custodial — resumiu o momento num post de ontem: a decisão da SEC é o “benchmark global que faltava” pra calibrar o debate doméstico. O princípio a importar é simples:
“Different business models, different risks, different rules.”
A tese é a mesma que o setor vem defendendo há meses aqui dentro: tentar enquadrar carteira não-custodial sob as mesmas regras de exchange centralizada é erro de categoria. Risco distinto pede tratamento distinto. Agora existe texto de regulador estrangeiro pra citar em parecer.
Por que isso importa pra quem constrói produto
Se você é founder, advogado, ou gestor com exposição a cripto no Brasil, essas são as duas frases que definem seu 2026:
→ Nos EUA: interface neutra + não custodial = legal, por 5 anos, sem ambiguidade
→ No Brasil: mesma interface = obrigações equivalentes a banco, com custo de capital de R$ 10M+ e reporte mensal
A aposta: nos próximos 6 meses, o setor brasileiro vai usar o File 4-894 como ponto de comparação em toda conversa com o BC. Quem tá montando produto agora precisa desenhar arquitetura que preserve a autonomia do usuário — o que a SEC chamou de “passive interface” — porque esse vai ser o teste que separa quem fica sob regime de PSAV do que pode argumentar pelo outro lado.
2026 pode ser o ano em que o DeFi sai do limbo jurídico global. No Brasil, depende da gente não confundir infraestrutura com intermediação.
📈 TRENDING: JEFF YAN
O fundador da Hyperliquid que recusou US$ 100 milhões, corta o próprio cabelo e fez mais lucro por pessoa que o Goldman Sachs
Uma revista publicou essa semana o perfil definitivo de Jeffrey Yan — o cara por trás da Hyperliquid. A história dele é o tipo de coisa que founder de fintech lê e repensa a carreira.
A timeline:
→ 2022: 27 anos, Porto Rico, sozinho, US$ 10 mil na conta bancária
→ Monta uma das maiores operações anônimas de trading cripto do mundo (Chameleon Trading) usando a TV da sala como monitor
→ 2023: VCs oferecem US$ 100 milhões. Ele negocia por duas semanas. Recusa.
→ Jul/2024: lança a Hyperliquid com 6 pessoas. Zero funding externo. Zero taxa do time. → Nov/2024: distribui US$ 16 bilhões em airdrop pra 94 mil usuários
→ 2025: lucro de US$ 900 milhões. 11 funcionários. 99% do lucro queimado em HYPE.
→ 2026: o S&P 500 negocia 24/7 na plataforma — com licença oficial da S&P Dow Jones
A matemática:
→ Hyperliquid: US$ 81 milhões de lucro por funcionário → Goldman Sachs: ~US$ 430 mil por funcionário → Ratio: 188x
Os detalhes que viralizaram:
→ Corta o próprio cabelo porque ir ao barbeiro leva tempo → Tem guarda-costas desde que alguém o seguiu até o elevador de casa → Trabalha 100+ horas por semana, dorme 5h por noite → A faxineira do escritório acha que eles fabricam gatos de pelúcia → Market cap atual da Hyperliquid: US$ 11,5 bilhões
Num mercado onde a WLFI arrecada US$ 350 milhões em taxas vendendo memecoin pra retail, Yan construiu o oposto: uma plataforma que entrega o yield pros usuários, queima o próprio token e cresceu sem um único dólar de VC. Os dois modelos coexistem. Só um deles tá implodindo.
⛓️ ON-CHAIN
STRC: Stablecoins lastreadas no STRC da Strategy (apxUSD e Saturn Dollar) passaram de US$ 150 milhões em supply desde março. A Strategy anunciou captação de US$ 42 bilhões — metade em ações, metade em STRC. O “reator cripto” do Saylor tá ganhando ecossistema próprio.
Ledger: O app falso do Ledger Live que passou pela revisão da Apple Store roubou US$ 9,5 milhões de mais de 50 vítimas entre 7 e 13 de abril. Entre elas, o músico G. Love, que perdeu US$ 424 mil em BTC. ZachXBT rastreou os fundos: mixer AudiA6, 150+ endereços de depósito na KuCoin. A Apple não comentou. A KuCoin também não.
AOKI: Segundo a Arkham, o DJ vendeu tudo — SHIB e ETH — por ~US$ 30 mil. Ainda segura 7 Bored Apes pelos quais pagou ~US$ 800 mil em 2021. A era das celebridades em cripto chegou ao fim. Seria isso ruim?
📊 STATS
US$ 900 milhões
Lucro da Hyperliquid em 2025. Com 11 funcionários. US$ 81 milhões por pessoa. Goldman Sachs: ~US$ 430 mil por funcionário. Hyperliquid: 188x mais. Nunca aceitou venture capital. Nunca cobrou taxa do time. O fundador trabalha 100+ horas por semana. Capitalização de mercado atual: US$ 11,5 bilhões
🔮 PREVISÕES
🔮 Bitcoin essa semana: Apostas acreditam que Bitcoin pode chegar a US$ 78 mil.
🔮 IPO da Karken: Chances de IPO da Kraken acontecer ainda em 2026, postergado em 20 de março, estão em 40%.
🔮 Reunião do Fed em abril: 100% de que não haverá corte da taxa.
📖 PALAVRA DA SEMANA
Rehipotecação (re-hi-po-te-ca-ção)
Ouviu esse termo essa semana e não quis perguntar? A gente explica. 🪙
O que é: quando alguém pega um ativo que recebeu como garantia e usa ele de novo como garantia pra outro empréstimo. É como se o banco pegasse o apartamento que você deu como garantia do financiamento e usasse ele pra tomar crédito em outro lugar — sem te contar.
Por que importa agora: Saylor argumenta que mais de US$ 1 trilhão em Bitcoin está sendo rehipotecado no shadow banking cripto. Exchanges oferecem empréstimos baratos contra BTC e usam esse BTC como colateral noutro lugar. Se todo mundo pedir de volta ao mesmo tempo, o Bitcoin não tá lá.
Na prática: “A exchange tá rehipotecando o BTC dos clientes. Quando a maré baixar, a gente vai ver quem tá nadando pelado.”
🤣 MEME DO FDS
Curtiu? Encaminha pro sócio que ainda acha que cripto é só Bitcoin subindo e descendo. Essa semana provou que o jogo é outro. 🪙





