🪙 BRCRIPTO: Stablecoins do Real são destaque em relatório Visa
+ Tether chama KPMG, ações da Circle derretem e Revolut movimenta US$ 1,2 bi em stablecoins
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💡Na coluna DYOR de hoje: Aprendi que o custo médio de uma remessa internacional ainda é 6,5% do valor enviado — principalmente por causa do spread cambial embutido nos bancos correspondentes. Numa empresa que movimenta US$ 10 milhões em pagamentos internacionais por ano, isso são US$ 650 mil que não voltam. Seis vírgula cinco por cento parece pouco até você colocar no Excel.
Na GM de hoje, em 10 min:
🔥 BRL on-chain: o real escalado para jogar a copa das stablecoins
🔥🔥 Tether convoca a KPMG — a auditoria que o mercado esperou 10 anos
📰 Brasil: A morte da exchange cripto e o nascimento do criptobank
⛓️ Ethereum recebe US$ 250 trilhões em ativos numa sala em NYC
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🔥 BR NA COPA DAS STABLECOINS
Stablecoins do real são a segunda moeda local mais usada no mundo — atrás só do euro.
A Seleção Brasileira não anda dando muito orgulho para o Brasil dentro das quatro linhas. Mas a nossa seleção on-chain é orgulho puro: as stablecoins lastreadas no real já são a segunda em moeda local mais utilizada no mundo — atrás só do euro.
Esta semana, a Dune Analytics e a Visa publicaram o relatório “Beyond Dollarization: The Rise of Local Currency Stablecoins” — e ele mostra que o real brasileiro é um dos destaques da Copa do Mundo das Stablecoins.
O real no mapa
O mercado global de stablecoins de moeda local — euro, real, iene, dólar de Singapura — cresceu de US$ 350 milhões em janeiro de 2023 para US$ 1,1 bilhão em fevereiro de 2026. Uma expansão de 3x. Enquanto isso, o número de usuários únicos saltou de 40 mil para 1,2 milhão — crescimento de 30x.
O volume de transações conta a história real: de US$ 600 milhões por mês em 2023 para US$ 10 bilhões por mês em fevereiro de 2026. Crescimento de 16x. E 80% dessas transações — excluindo o euro — são transferências simples: pagamento de fornecedor, folha de pagamento, liquidação comercial, tesouraria.
O real brasileiro representa 10% desse mercado — segundo lugar global. O volume mensal em BRL on-chain cresceu de US$ 180 milhões para US$ 1 bilhão em um ano. 8x.
A BRLA, stablecoin do real emitida pela Avenia, é a protagonista desse crescimento. Só no Polygon, o volume de pagamentos via Avenia Pay foi de US$ 64 milhões em janeiro de 2025 para US$ 440 milhões em janeiro de 2026 — 6x em 12 meses.
Como funciona na prática
Um exemplo emblemático de integração é o da Gnosis Pay. Desde meados de 2025, a fintech londrina opera em sinergia com a stablecoin BRLA e o Pix, criando uma ponte fluida entre o sistema financeiro nacional e a Web3.
Segundo o CPO da Picnic, plataforma parceira na operação, o fluxo é totalmente transparente: o usuário realiza um depósito via Pix e o sistema converte instantaneamente o saldo para BRLA, liquidando o valor on-chain.
Na ponta final, esse saldo está disponível para uso imediato em cartões Visa no mundo todo. Para o cliente, a blockchain torna-se uma infraestrutura invisível; ele interage apenas com a agilidade do Pix e a aceitação global da Visa.
Para empresas: um importador pode pagar fornecedor no exterior diretamente em BRLA, com liquidação instantânea, sem banco correspondente, sem spread de câmbio de 4-6%. O fornecedor recebe em USDC ou na moeda local dele. A conversão acontece on-chain.
Essa semana, a Bitget Wallet lançou no Brasil o Onchain Payments Matrix — infraestrutura que conecta em um sistema só: Ripple, Mastercard, Visa, Tether, Circle e MoonPay, além de parceiros bancários regionais. O volume global de transações com stablecoins já passa de US$ 33 trilhões. Os gastos com cartões vinculados a criptomoedas cresceram 525% em relação ao ano anterior, em 2025.
Seleção de respeito
O relatório Visa + Dune é direto: a oportunidade não é substituir os trilhos existentes, é estendê-los. Para cada tipo de empresa, a leitura é diferente.
Para quem importa ou exporta: stablecoins de moeda local permitem liquidação no mesmo dia, na moeda funcional do negócio, sem conversão forçada para dólar. Menos custo de FX, menos capital preso em pré-funding.
Para fintechs e PSPs: integrar BRLA/BRZ/BRLA aos fluxos de pagamento cria um corredor de pagamento mais barato e rápido do que qualquer correspondente bancário. A Revolut processou US$ 1,2 bilhão só no Polygon — e os custos de transação no Polygon são 426x menores do que no Ethereum e 4x menores do que na Solana.
Para tesoureiros: a BRLA já é usada como instrumento de yield via CDI (o stBRLA da Pods Finance). Dá pra deixar saldo parado rendendo CDI on-chain, sem conta em banco, sem D+1 de conversão.
Para assessores e advogados: o Banco Central brasileiro publicou as resoluções de 2025 que regulamentam a emissão e o uso de stablecoins de real. O arcabouço regulatório existe. O risco jurídico caiu.
A conclusão do relatório é direta: as instituições que se moverem agora — ajudando a moldar os padrões, a liquidez e a compliance — vão definir como o valor se move globalmente num cenário além da dolarização.
🌍 OFF-CHAIN
ETHEREUM: Na segunda (23), a Ethereum Foundation realizou um fórum por convite em Nova York — centenas de bancos, gestoras e provedores de infraestrutura com AUM combinado de US$ 250 trilhões. BlackRock, Robinhood, Moody’s, Baillie Gifford e Securitize participaram como construtores.
FRANKLIN TEMPLETON: Lançou os ETFs de S&P 500, renda fixa e ouro tokenizados, disponíveis 24/7 em wallets cripto, em parceria com a Ondo Finance. Europa, Ásia e América Latina no lançamento. Cinco anos atrás lançaram um money market fund on-chain com US$ 557 milhões.
COINBASE: Primeira hipoteca lastreada em cripto nos EUA. O comprador usa BTC ou USDC como garantia para o pagamento inicial, sem vender os ativos. Seguindo os padrões da Fannie Mae. Disponível para membros do Coinbase One. Brasil não está na lista de países cobertos — ainda.
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🔥🔥 TETHER CHAMA A KPMG E DERRUBA CIRCLE
Após anos dando migué, a Tether enfim vai auditar seu portfólio — e a Circle quase teve um ataque do coração.
Existe uma piada velha no mercado cripto: “a auditoria da Tether está chegando” — dita desde 2016, nunca chegou. Esta semana, a piada ficou velha de verdade.
A Tether anunciou que contratou a KPMG (uma das Big Four) para realizar a primeira auditoria financeira completa e independente das reservas do USDT. Além disso, trouxe a PwC para preparar e modernizar seus sistemas internos e controles antes da auditoria.
Não se trata de mais uma simples attestation (aquele atestado médico que a gente pega pra apresentar no RH da firma). É uma auditoria de verdade, que vai abranger demonstrativos financeiros, controles internos, consistência histórica e verificação independente dos ativos.
O tamanho do que vai ser auditado
US$ 184 a 193 bilhões em reservas declaradas. Principalmente T-Bills americanos, com alocações em ouro, Bitcoin e empréstimos corporativos. O USDT tem US$ 143 bilhões em circulação — 70% do mercado de stablecoins.
Para dar escala: a Apple tem US$ 167 bilhões em caixa. A Tether — fundada em 2014 — diz ter mais do que isso em reservas. A KPMG vai confirmar ou contradizer.
O efeito colateral: Circle está sangrando
Enquanto a Tether se blindava com a KPMG, as ações da Circle despencaram — e a culpa foi jogada no Clarity Act, o projeto de lei de infraestrutura cripto em votação no Congresso americano. O mercado interpretou que a lei poderia restringir a atuação de emissoras de stablecoin como a Circle.
A Bernstein rebateu: o projeto mira distribuidores, não emissores. A Circle, como emissora do USDC, sairia bem na foto. O mercado vendeu antes de ler o relatório.
Mas existe uma pressão mais silenciosa que o mercado ainda não precificou direito: se a KPMG confirmar as reservas da Tether, o USDT vai de “ninguém sabe o que tem lá dentro” para “o ativo digital mais auditado do mundo”.
Isso muda a conversa. A USDC conseguiu ascensão meteórica após apostar na regulação, palavra que sempre causou alergia na Tether. Resta saber até onde a Tether está disposta a abrir sua caixa preta para os órgãos reguladores.
📰 BUZZ BR
Bruno Moniz, da Nora Finance, publicou esta semana um artigo com título certeiro: “A exchange de cripto morreu.” Segundo ele, as Resoluções BCB 519, 520 e 521, em vigor desde fevereiro, tornaram o modelo atual de exchange economicamente inviável como PSAV regulada.
Agora, as novas regras que preveem capital mínimo de R$ 10,8 e R$ 37,2 milhões não são o fim do mercado cripto brasileiro. É o começo de algo maior. Algo similar ao que aconteceu em 2013, quando o BCB regulou as instituições de pagamento, abrindo caminho para o surgimento do Nubank, a Stone e o PagSeguro.
A licença do BCB, de acordo com o autor, é um passaporte para um ecossistema completo: a exchange regulada pode se tornar instituição de pagamento, corretora de câmbio, distribuidora de títulos, sociedade de crédito. O modelo que ele descreve não é “exchange regulada” — é neobank cripto.
Para os players menores, Moniz aponta um caminho: Crypto as a Service. Segundo ele, assim como nem toda loja precisa de licença bancária para aceitar cartão, nem toda plataforma cripto precisa ser uma PSAV — mas todas vão precisar de uma por trás.
⛓️ ON-CHAIN
POLYMARKET: Os mercados de previsão passaram de US$ 20 bilhões em volume mensal — com geopolítica como principal driver, segundo o TRM Labs. De olho nos dados, a ICE, controladora da NYSE, investiu mais US$ 600 milhões no Polymarket.
SOLANA: . A Solana Foundation acaba de lançar o Solana Developer Platform (SDP), uma camada unificada de APIs que reúne mais de 20 provedores de infraestrutura em um único ponto de acesso, incluindo login social, custódia, troca de ativos, conformidade regulatória e rampas de entrada e saída de fiat.
POLYGON: O total de pagamentos em stablecoin da Revolut cresceu 156% em 2025, chegando a US$ 10,5 bilhões em todas as redes. Apenas na Polygon, o total chegou a US$ 1,2 bilhão em volume cumulativo de stablecoins.
📊 GIGA
US$ 557 milhões
Ativos no FOBXX — o money market fund tokenizado da Franklin Templeton, lançado em abril de 2021. O mercado global de Real World Assets (RWA) tokenizados (excluindo stablecoins) era de menos de US$ 5 bilhões em 2023. Hoje está na casa dos US$ 25 bilhões, representando um crescimento de cerca de 5x em três anos.
🔮 ORACLE
🔮 GENIUS Act (stablecoins) vira lei em 2026: 60% no Polymarket. Na média das últimas semana. Ou seja: tudo na mesma.
📖 DEGEN DICTIONARY
Stablecoin de moeda local (local currency stablecoin)
O que é: Stablecoin pareada não ao dólar, mas a uma moeda nacional — real, euro, iene, dólar de Singapura. Paridade 1:1, reservas auditadas, emitida em blockchain público.
Por que existe: O USDT resolve o problema de quem quer mover dólares. A BRLA resolve o problema de quem quer mover reais — sem converter para dólar no meio do caminho, sem spread de câmbio embutido, sem banco correspondente. Para empresas cujas receitas e custos são em BRL, converter tudo para USDC e de volta para BRL é custo puro.
Na prática: Uma empresa paga fornecedor no exterior em BRLA. O fornecedor converte para USDC ou para a moeda local dele. Sem SWIFT, sem correspondente, sem D+2. Para o consumidor final: topa o PIX, gasta no cartão Visa. Não sabe que usou blockchain.
O Brasil no contexto: Segundo lugar global no mercado de stablecoins de moeda local — 10% do market share, atrás só do euro. A regulação do Banco Central de 2025 foi o gatilho. O crescimento de 8x veio logo depois.
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